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NR-06 · Proteção individual

Guia técnico de EPIs

Aplicação, uso correto, limites, inspeção e substituição de 20 equipamentos de proteção.

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ANTES DE ESCOLHER

Não existe EPI universal.

A obrigatoriedade e a especificação surgem da avaliação dos riscos da atividade, das medidas de prevenção existentes e das normas aplicáveis. A organização deve selecionar EPI adequado ao risco, com Certificado de Aprovação — CA, orientar e treinar, registrar o fornecimento, exigir o uso, higienizar e substituir quando necessário. O EPI complementa as medidas coletivas e administrativas; não deve ser usado para justificar a permanência de um risco que pode ser eliminado ou controlado na fonte.

01 · CABEÇA

Capacete de segurança

Onde usar: construção, manutenção, indústria, pátios, carga e descarga e locais com risco de impacto, queda de objetos ou contato elétrico, conforme o modelo.

Como usar: ajustar suspensão e jugular quando requerida; manter casco centralizado e sem adaptações. Classe, acessórios e compatibilidade devem corresponder ao risco.

Quando é exigido: quando a avaliação identificar risco à cabeça e o PGR, procedimento ou norma aplicável definir seu uso.

Inspeção e troca: retirar de uso após impacto significativo, trinca, deformação, perfuração, ação química ou perda de ajuste. Não pintar, furar ou colar itens sem autorização do fabricante.

02 · OLHOS

Óculos de segurança

Onde usar: corte, esmerilhamento, perfuração, laboratório, manutenção, manuseio químico e tarefas com partículas, respingos ou radiação específica.

Como usar: selecionar lente, cobertura lateral, vedação e tonalidade apropriadas; ajustar sem folgas e manter compatibilidade com respirador e protetor auditivo.

Quando é exigido: diante de risco ocular não eliminado por barreiras, enclausuramento ou outros controles.

Inspeção e troca: substituir lentes riscadas, trincadas, opacas ou armações deformadas. Limpar pelo método do fabricante.

03 · FACE

Protetor facial

Onde usar: operações com projeção de partículas, respingos, esmerilhamento e outras exposições da face.

Como usar: ajustar à cabeça e manter o visor abaixado durante a exposição. Em muitas tarefas, deve ser combinado com óculos de segurança.

Quando é exigido: quando a projeção pode atingir áreas do rosto além dos olhos e a análise de risco indicar proteção complementar.

Inspeção e troca: conferir visor, carneira, catraca e fixações; substituir peças com perda de transparência, trinca ou folga.

04 · AUDIÇÃO

Protetor auditivo de inserção

Onde usar: ambientes com exposição a ruído em que a avaliação ocupacional determine proteção auditiva.

Como usar: mãos limpas, inserção correta e vedação nos dois ouvidos; modelos reutilizáveis precisam de higienização e estojo.

Quando é exigido: conforme nível e duração da exposição, medidas de controle e programa de conservação auditiva. A atenuação deve ser adequada, sem superproteção desnecessária.

Inspeção e troca: descartar plugues descartáveis após o uso indicado; trocar os reutilizáveis quando endurecidos, rasgados, deformados ou contaminados.

05 · AUDIÇÃO

Protetor auditivo tipo concha

Onde usar: áreas ruidosas, especialmente quando se deseja colocação rápida, fiscalização visual ou alternativa ao plugue.

Como usar: cobrir totalmente as orelhas e ajustar a haste. Óculos, barba, cabelo, bonés e outros equipamentos não podem comprometer a vedação.

Quando é exigido: a partir da avaliação de ruído e da seleção técnica da atenuação necessária.

Inspeção e troca: verificar almofadas, espuma, arco e pressão. Substituir componentes ressecados, rachados ou sem vedação.

06 · RESPIRAÇÃO

Respirador PFF2

Onde usar: exposições a partículas, poeiras, névoas e aerossóis para os quais o modelo seja indicado.

Como usar: colocar conforme o fabricante, moldar o clipe nasal e verificar a vedação a cada uso. Barba na área de selagem prejudica a proteção.

Quando é exigido: após avaliação do contaminante, concentração, tarefa e controles, dentro de um programa de proteção respiratória.

Limite crítico: não protege contra gases, vapores, atmosferas deficientes em oxigênio ou situações imediatamente perigosas à vida. Trocar quando sujo, danificado, úmido ou com aumento de resistência respiratória.

07 · RESPIRAÇÃO

Respirador semifacial reutilizável

Onde usar: partículas, gases ou vapores somente com filtros e cartuchos específicos para o contaminante e a concentração avaliados.

Como usar: realizar inspeção, teste de vedação a cada colocação, ajuste das tiras e troca planejada dos filtros. Barba na área de vedação é incompatível.

Quando é exigido: quando a avaliação respiratória indicar o fator de proteção e a peça facial adequados.

Inspeção e troca: verificar corpo, válvulas, tiras, conexões e cartuchos. A percepção de odor não deve ser o único critério de troca.

08 · MÃOS

Luvas para agentes químicos

Onde usar: manipulação de produtos químicos, limpeza industrial, laboratórios e manutenção, conforme a FDS e a avaliação da tarefa.

Como usar: selecionar polímero, espessura, comprimento e tempo de permeação compatíveis; retirar sem tocar a superfície contaminada.

Quando é exigido: quando houver possibilidade de contato cutâneo e os controles coletivos não eliminarem a exposição.

Inspeção e troca: verificar furos, inchaço, pegajosidade, descoloração e perda de elasticidade. Não reutilizar luva contaminada sem procedimento validado.

09 · MÃOS

Luvas anticorte

Onde usar: chapas, vidros, lâminas, embalagens, manutenção e manuseio de materiais com bordas cortantes.

Como usar: escolher nível de resistência, tamanho, aderência e destreza compatíveis com a tarefa.

Quando é exigido: quando a análise apontar risco de corte ou abrasão não controlado por ferramentas e métodos.

Limite crítico: resistência a corte não significa proteção contra perfuração ou esmagamento. Em partes rotativas, a luva pode aumentar o risco de arraste; a tarefa deve ser analisada antes do uso.

10 · MÃOS

Luvas térmicas

Onde usar: fornos, soldagem, cozinhas industriais, câmaras frias e manuseio de peças quentes ou frias.

Como usar: selecionar para calor de contato, convectivo, radiante, respingos ou frio; respeitar temperatura e tempo de exposição.

Quando é exigido: quando houver risco térmico residual nas mãos.

Inspeção e troca: substituir quando molhada de forma incompatível, queimada, endurecida, rasgada ou com isolamento comprimido.

11 · PÉS

Calçado de segurança

Onde usar: oficinas, indústria, logística, construção e áreas com queda de objetos, perfuração, escorregamento ou risco elétrico específico.

Como usar: escolher biqueira, palmilha antiperfuração, solado e propriedades adicionais conforme a atividade; manter fechado e ajustado.

Quando é exigido: quando a avaliação indicar risco aos pés ou necessidade de aderência e estabilidade.

Inspeção e troca: verificar solado, costuras, biqueira, cabedal e contaminação. Trocar após dano estrutural ou perda de aderência.

12 · PÉS

Bota impermeável

Onde usar: lavagem, saneamento, agro, alimentos e ambientes úmidos ou com agentes compatíveis com o material.

Como usar: manter a barra da roupa conforme o procedimento, evitar entrada de líquidos e escolher solado adequado ao piso.

Quando é exigido: diante de umidade excessiva, contato com líquidos ou necessidade de higienização controlada.

Inspeção e troca: procurar perfurações, rachaduras, desgaste do solado e deformações. Higienizar e secar à sombra.

13 · CORPO

Vestimenta de proteção química

Onde usar: pulverização, resposta a derramamentos, limpeza técnica e processos com risco de contato ou projeção química.

Como usar: selecionar tipo de barreira, costuras, capuz, luvas e botas como conjunto; planejar colocação, retirada e descontaminação.

Quando é exigido: quando a avaliação química indicar proteção do corpo e o controle coletivo não impedir o contato.

Limite crítico: a vestimenta pode elevar a carga térmica. Rasgos, costuras abertas, saturação ou incompatibilidade exigem retirada imediata.

14 · TRONCO

Avental de raspa

Onde usar: soldagem e tarefas com fagulhas, abrasão ou calor de contato, quando o CA e a especificação contemplarem o risco.

Como usar: fechar corretamente, cobrir o tronco e combinar com luvas, mangotes e demais proteções necessárias.

Quando é exigido: quando a análise de risco apontar exposição do tronco e o avental for adequado ao processo.

Inspeção e troca: verificar rasgos, furos, costuras e contaminação por óleo ou inflamáveis, que pode tornar a peça insegura.

15 · BRAÇOS

Mangotes de proteção

Onde usar: soldagem, corte, manuseio de materiais abrasivos, calor, respingos e atividades com risco nos braços.

Como usar: cobrir do punho ao braço sem deixar frestas com luvas e vestimenta; escolher material conforme o agente.

Quando é exigido: quando a proteção das mãos não cobre a região exposta do braço.

Inspeção e troca: conferir elásticos, fechos, costuras, furos e contaminação. Não utilizar peça folgada perto de partes móveis.

16 · QUEDAS

Cinturão tipo paraquedista

Onde usar: sistema de proteção individual contra quedas em trabalho em altura, resgate e acesso, conforme projeto e procedimento.

Como usar: vestir e ajustar todas as fitas, conectar apenas nos pontos previstos e realizar verificação por pessoa capacitada.

Quando é exigido: quando o trabalho em altura não puder ser evitado e as proteções coletivas não eliminarem o risco de queda.

Inspeção e troca: retirar após retenção de queda ou ao encontrar cortes, queimaduras, costuras danificadas, ferragens deformadas ou etiqueta ilegível.

17 · QUEDAS

Talabarte com absorvedor de energia

Onde usar: conexão do cinturão a um ponto ou linha de ancoragem em sistema de retenção de queda compatível.

Como usar: conectar pelos elementos previstos, manter ancoragem preferencialmente acima e não criar nós, extensões ou conexões improvisadas.

Quando é exigido: conforme a análise de risco e o projeto do sistema. A distância livre de queda deve considerar talabarte, abertura do absorvedor, altura do usuário e margem de segurança.

Inspeção e troca: descartar após atuação do absorvedor ou sinais de corte, abrasão, queimadura, ferragem deformada ou costura rompida.

18 · QUEDAS

Trava-quedas

Onde usar: linhas de vida verticais ou retráteis previstas no sistema de proteção contra quedas.

Como usar: respeitar modelo, sentido, diâmetro ou trilho compatível, ponto de conexão e limites do fabricante.

Quando é exigido: em acessos e deslocamentos verticais ou situações definidas no projeto e no procedimento de trabalho em altura.

Inspeção e troca: testar bloqueio conforme orientação, verificar conectores, cabo, fita e carcaça. Equipamento que reteve queda deve ser segregado e avaliado.

19 · SINALIZAÇÃO

Vestuário de alta visibilidade

Onde usar: vias, pátios, obras, logística, movimentação de máquinas e condições de baixa visibilidade.

Como usar: manter faixas visíveis e peça fechada; não cobrir com outros itens. A classe e o modelo devem corresponder ao ambiente.

Quando é exigido: quando houver risco de atropelamento, colisão ou baixa percepção do trabalhador.

Inspeção e troca: substituir quando sujo de forma permanente, desbotado, rasgado ou com material retrorrefletivo deteriorado.

20 · PERNAS

Perneira de segurança

Onde usar: roçada, manejo rural, mata, corte, soldagem e atividades com risco de impacto, abrasão, materiais cortantes ou animais peçonhentos, conforme o modelo.

Como usar: ajustar na perna sem impedir circulação ou movimento e combinar com calçado e vestimenta adequados.

Quando é exigido: quando a análise indicar exposição das pernas e a perneira tiver proteção certificada para o risco.

Inspeção e troca: conferir fechos, estrutura, rachaduras, perfurações, rigidez e higienização.

REGRA DE OURO

CA não substitui a seleção técnica.

O CA confirma a aprovação do equipamento para as proteções indicadas. A empresa ainda precisa verificar se aquele modelo é adequado ao risco real, ao usuário, à tarefa, aos demais EPIs e às condições do ambiente.

REFERÊNCIAS

Base oficial

NR-06 — Ministério do Trabalho e Emprego
Perguntas e respostas sobre EPI — MTE

ORIENTAÇÃO TÉCNICA

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